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[Resenha] Otelo de William Shakespeare !!!

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Edição: 1
Editora: Disal
ISBN: 8578440013
Ano: 2008
Páginas: 224

Sinopse

Raros são os textos a abordarem com tamanha complexidade as relações humanas como aqueles escritos por William Shakespeare (1564 – 1616). Otelo é uma das mais maduras tragédias escritas pelo dramaturgo. Em um enredo único, Shakespeare desenvolve o tema do ciúme nutrido pelo mouro Otelo em relação à jovem, bela e casta esposa Desdêmona. Esse ciúme é fomentado por Iago, alferes de Otelo, que vê sua oportunidade de promoção interrompida quando é preterido por Cássio, tenente do general. De uma sagacidade sem tamanho, com propósitos de vingança, Iago induz Otelo a suspeitar da fidelidade de sua mulher. O enredo está armado e Otelo, o grande e imbatível general de outrora, terá à sua frente a maior batalha de sua vida a enfrentar, pois ela sepassará dentro dele mesmo. Vivendo o conflito entre acreditar em sua esposa ou duvidar dela, Otelo oscila entre o bem, representado por Desdêmona em contraposição ao mal, representado pelo diabólico Iago.

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Impressões

Foi bem difícil para mim escrever essa resenha, sentia que não conseguiria nunca fazer jus ao que li, mas depois de muitas pesquisas sobre o autor e suas publicações, me arrisco a escrever sobre ela.

Este é o Otelo que o leitor o encontra no início desta tragédia. O ideal renascentista, um herói arquetípico, seguro de si, valente e honrado, no autocontrole completo quando falsamente acusado de forçar Desdêmona, filha de um nobre, a se casar com ele. Quando confrontado pelo Duque, o seu fundamento de defesa brilha com esplêndida poesia, calma dignidade e a voz da razão, encantando a todos que ouvem o seu monólogo refinado.

Mas Otelo também é um negro Africano, conhecido como O Mouro, um general do exército veneziano e um cristão. Ele é o epítome de muitos paradoxos estereotipados que coexistem nele, e isso, de alguma forma antecipa o desastre, pois existem forças do mal que atraem o homem crédulo a ceder aos instintos selvagens de sua natureza dupla.

Ironicamente, o nome de Otelo é revestido de valor no Ato I, nenhuma sentença é imposta a ele e sua vida é poupada, mas seus votos virão a ser sombriamente proféticos quando ele não concede a inocente Desdêmona o mesmo tratamento durante o brutal Ato V.

Esta é a outra face de Otelo, a besta bárbara que possui o homem e o transforma em um “monstro civilizado”, em sua imagem oposta, o bom cristão torna-se turbulento, em um “animal dicotômico”, que cego pela raiva e ciúme, mata a esposa Desdêmona acreditando que ela tenha sido infiel a ele com o tenente Cassio.

Na raiz desse desenvolvimento violento, há o maligno Iago, o mais vilão dos vilões cuja fundamentação para os seus atos é simplesmente a maldade. Nunca um personagem foi tão dúbio em suas maquinações, sua loquaz moralidade direta e honesta, de modo abertamente traiçoeiro e sua misantropia tão sublime é revelada no fluxo perpétuo de seu esplendor verbal, onde há lugar para juramentos rimados, trocadilhos sexuais e imagens degradantes de animais.

“Amor e dever” estão em desacordo e são radicalmente confrontados nesta tragédia estranhamente poderosa ainda em movimento. Pode-se localizá-los entre pai e filha, marido e mulher. Muito além do mito cristão caindo em tentação e as manobras do diabo que influenciaram séculos de sermões, lendas e fábulas, além do crime de paixão, existe um padrão de interagir opostos; preto versus branco, cristão versus pagão, civilizado versus desumano, honesto versus desonesto.

È complicado em certos momentos entender a obra do autor, mas não é difícil notar a grandeza do que está escrito e vislumbrar todos os aspectos psicológicos realistas inseridos nela, o uso de símbolos para descrever os sentimentos e ao lê-lo, o leitor se sente introduzido em algo maior, secular e mesmo assim atual.

Muitos podem classificar a leitura de clássicos como enfadonha, mas eu, sinceramente, só consigo rotulá-la de engrandecedora.

 

 

Bianca Benitez height=

Quem Escreve

Bianca Benitez 37 anos,técnica de enfermagem,cursando Letras,mãe e faz malabarismo para ler no intervalo disso tudo.Apaixonada por literatura erótica,romances de época, romances históricos e chick Lit.

 

 

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Comentários

  1. Olá,
    Caramba, você está lendo Otelo… Nunca li nenhuma obra de William Shakespeare e assumo que sempre quis ler, mas Otelo eu acho uma obra muito complexa para começar a ler por agora. Admiro você por ter lido!
    Beijos

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  2. Olá, tudo bem?
    Adoro ler resenhas de clássico, a única obra de Shkespeare que li até agora foi Sonho de uma noite de verão. Vergonha de ainda não ter lido Otelo, Romeu e Julieta eu comecei e abandonei a leitura por falta de tempo e envolvimento com a trama. Parabéns pela resenha, muito boa.

    Beijos,
    Luan – Carpe Diem Literário.

    Reply
  3. Oi Bia.

    Adorei sua resenha, pois conhecia deste livro, mas não tive a oportunidade de lê-lo. Mas pretendo mudar isso e já adicionei na meta de leitura, ele parece ser ótimo. Confesso que conheço poucas histórias de Shakespeare e sua opinião desperta uma vontade de ler algumas obra dele.

    Bjos

    Reply
  4. Bi, sou muito suspeita pra falar de Shakespeare. Foi um dos escritores – se não o principal – que me enfeitiçou, que me fez ficar completamente encantada por literatura.
    Faz muuuuuuuito tempo que li Otelo, mas é impossível esquecer a trama marcante. As pessoas sempre falam que as histórias – peças – de Shakespeare, são tragédias, eu sempre discordo, e acrescento que são bem mais complexas que isso, que são retratos crus de nós humanos, são todas as nossas emoções e insanidades em todo o seu ápice… Ter um fim trágico, é só uma consequência.
    E tudo isso, como vc disse, só nos engrandece. Amei sua resenha.

    Beijos,
    Lili

    Reply
  5. Sabe que dos livros de Will não li Otelo?
    Deve ser uma obra maravilhosa ♥
    Não tenho dúvida.
    E com o tu falou,clássicos enriquecem a gente.

    Reply

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